Segurança personalizada
Para evitar invasões e roubos, 15 mil residências
e empresas do Rio usam a identificação digital
Rio - Cresce o número de residências e até
empresas que usam sistemas de identificação digital
biometria para evitar assaltos e roubos. Ligada a sofisticadas
centrais de monitoramento 24 horas, a tecnologia de reconhecimento
por impressões digitais já é usada em larga
escala em São Paulo. Por causa do alto grau de eficácia,
está sendo adotada também no Rio. Modernidade a
serviço da segurança, que tem ganho cada dia mais
adeptos. Estima-se que 15 mil equipamentos tenham sido instalados
nos últimos anos no estado. Através de um toque
de dedo, moradores, visitantes e funcionários têm
entrada e saída monitoradas. O índice de falha é
de um em cada um milhão. Prédios na Barra da Tijuca
e Zona Sul são os primeiros a contar com a segurança
digital. No condomínio La Maison Gauguin, da Carmo e Calçada,
lançado na Península, Barra da Tijuca, a porta social
de cada apartamento terá a entrada liberada por digitais.
Ao planejar o Fontvieille, seu primeiro condomínio no Rio,
a empresa JC Gontijo, que atua no mercado de apartamentos de luxo
em Brasília, também incluiu o sistema no projeto,
feito em parceria com a Carvalho Hosken. São apartamentos
de quatro suítes, no valor médio de R$ 1,5 milhão.O
sistema é um diferencial. Hoje, a segurança é
grande preocupação das famílias na escolha
de um imóvel. No Fontvieille, o acesso apenas será
permitido a pessoas cadastradas com autorização
do proprietário. O cadastro poderá ser de um dia,
uma semana ou o tempo que o morador definir, explica o engenheiro
Márcio José de Souza, superintendente de Obras da
JC Gontijo. Ele destaca que o sistema também foi desenvolvido
para detectar quando o morador está entrando no prédio
em situação de risco, através do código
de coação. A central de monitoramento percebe se
o usuário está em perigo porque o acesso é
feito com o dedo que foi cadastrado para indicar a situação.
Não falamos só de câmeras e homens bem treinados,
mas de controladores de acesso e leitores de fibra ótica
que identificam moradores, afirma Ricardo Corrêa, diretor
de Marketing da Carvalho Hosken. O Grupo Zayd também oferece
o sistema no Le Jour, no Recreio dos Bandeirantes. O acesso às
partes comuns do prédio será feito por digital do
dedo indicador.
A busca pela modernidade é para competir com artifícios
que assaltantes usam para burlar esquemas de segurança
tradicionais, como câmeras, cerca elétrica e alarmes.
Dados da Secretaria de Segurança Pública revelam
que, em média, 10 estabelecimentos comerciais são
assaltados por dia. Nas residências, são três
por dia.
Cinqüenta bancos de São Paulo e do Rio estão
testando um sistema conhecido como palm vein identificação
por sensores capazes de ler o padrão das veias das mãos.
Num outro modelo, a leitura da impressão digital considera
a pressão sangüínea. Temos controle dos funcionários
que vão para cada departamento. São 800 impressões
cadastradas, disse o gerente de tecnologia do Casa Shopping, Tony
Hunter. A empresa vai instalar o sistema por íris.
Leitura Facial e da Retina na Entrada
- O modelo com sistema de acesso biométrico já
é usado em vários edifícios comerciais na
cidade. No prédio do ABN Real, no Centro, por exemplo,
a identificação dos funcionários e dos visitantes
é digital. Indicada para grandes corporações,
devido ao preço, a leitura facial é um software
sofisticado que digitaliza a face da pessoa, capturando detalhes
do rosto. Outra opção é pela leitura da retina.
“O crescimento no segmento está relacionado à
violência. Esse cenário tem causado uma mudança.
As pessoas passaram a priorizar a segurança preventiva,
comentou o diretor de Comunicação da Associação
Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança
(Abese), Oswaldo Oggiam.
Líder no uso do sistema no País, São Paulo
contabiliza 40 mil pontos de identificação biométrica.
Um deles está na casa do prefeito da capital, Gilberto
Kassab. Na opinião do gerente de tecnologia e segurança
da Astech, Vinícius Salgueiro, o dedo-duro, como foi apelidado,
pode ser programado e em pouco tempo deve substituir crachás,
chaves, cartões e senhas. Quando se entrega a chave para
um empregado, corre o risco dele fazer a cópia e entrar
quando você não estiver. Com a digital, não
há o risco”, explica Salgueiro.
Modelo tem custo elevado -
O especialista em Segurança Predial do Secovi
Rio, Raimundo Castro, diz que a implantação do sistema
digital ainda é caro. Agora, quem compra um imóvel
com esse diferencial está fazendo um bom negócio,
porque, além da segurança, há uma valorização
do bem. O diretor-presidente da Ética Imobiliária,
Marlei Feliciano, concorda que essa tecnologia agrega valores,
mas reforça que a implantação do modelo tem
custo elevado.
Existem sistemas de segurança mais acessíveis. O
aparelho de DVD custava caro e hoje é possível comprar
por R$ 199, compara Feliciano. Castro esclarece que o custo do
sistema digital depende da quantidade de pontos de controle de
acesso. O gerenciador, por exemplo, custa em média de R$
8 mil a R$ 12 mil e os pontos estratégicos com leitoras
custam R$ 1.500 cada. O investimento vai depender da saúde
financeira do condomínio. Temos um edifício em Ipanema,
com apenas cinco apartamentos, que está implantando o modelo,
exemplifica Castro. Ele destaca a importância de investimento
em mão-de-obra qualificada aliado à tecnologia.
(Jornal O DIA/RJ, 28/07 e Portal Terra 28/07).
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